Audi A3 30 TFSI: parece pouco, mas olha que não
Testei o novo Audi A3 com a motorização 30 TFSI que, assim à primeira vista, até parece demasiado modesta para um carro de gama premium. Terminado o ensaio, posso dizer que as aparências enganam.
Triiiiiinta
Ao contrário do Samuel Massas, “atleta” celebrizado na internet pela expressão com esse número, este Audi A3 30 TFSI não é nada lingrinhas. Muito pelo contrário. Familiar compacto com uma presença forte, muito graças ao seu design anguloso e proporcional de aspecto dinâmico. Visualmente, a primeira impressão é óptima. Transmite um ar premium e é isso que os clientes da Audi pretendem.
Depois, olhamos para a denominação da versão e vemos lá escrito “30 TFSI”. Aqueles que sabem o que isso significa ficam assim meio desapontados. Os que não sabem… não ficam, portanto. Tanto lhes faz. Mas para os que ficam desapontados por este Audi A3 “só” ter um motor de 1 litro de cilindrada e 110 cavalos, deixem que vos diga que estão muito enganados. Como eu estava.
TFSI
Não é habitual ver um Audi com um motor pequeno – mesmo que o downsizing seja uma coisa já comum desde há alguns anos – principalmente porque os clientes da marca costumam optar por motores maiores e geralmente a gasóleo. Mas isso é algo que este motor pretende mudar. Gasolina, pequeno, com turbo, 110 cavalos de potência e 200 Nm de binário. Visto assim, não está nada mal.
O binário, apesar de não ser muito, junto com a caixa manual de 6 velocidades bem escalonada torna-se mais do que suficiente. Não serve para acelerações a fundo, mas transmite uma sensação de corpo, que é algo importante na condução. Não vais ficar a sentir falta de potência nas acelerações ou ultrapassagens. É um motor para rolar na autoestrada a velocidades dentro dos limites. Eu diria que 100 km/h é a velocidade certa. Primeiro, para fazeres uma condução eficiente e poupar combustível e, depois, para evitares multas.
Mas claramente é um motor para o trajecto casa-trabalho-casa. Consegui consumos na ordem dos 5,6 litros aos 100 km fora de cidade e 6,2 de combinado, o que é impressionante para um motor tão ligeirinho. Aqui surpreendeu.
Audi
Quanto à qualidade, não há nada a dizer. É Audi. É das poucas marcas cuja opinião é quase unânime em relação à qualidade de construção e materiais. Neste departamento, confirma-se. Os plásticos são bons e macios, mesmo os mais rijos, a construção não apresenta falhas nem folgas e tudo transmite um ar robusto e preenchido.

Esta qualidade passa também para o conforto de condução. O ruído é quase inexistente, mesmo com jantes grandes, a direção é precisa q.b. para um carro sem pretensões desportivas e o conforto a bordo é impecável. A posição de condução é irrepreensível, embora note que, talvez pela minha altura e posição de condução, o joelho esquerdo volta e meia fique demasiado próximo da coluna de direção. Levantar um nadinha o volante resolveu a coisa. Isso, ou escolher caixa automática, para tornar tudo ainda mais confortável.
Positivo é, também, a decisão de colocar comandos físicos para o ar condicionado. Ufa, que lufada de ar fresco… literalmente. É tão mais fácil operar as cosias com botões físicos. É verdade que a Audi era algo conhecida por ter botões para tudo e mais alguma coisa. A consola central de um Audi do início dos anos 2000 parecia tirada de um dos episódios do Star Trek ou de um foguetão espacial. Felizmente, agora, temos um ecrã touch com dimensões bem grandes e muita qualidade gráfica, que opera com uma fluidez tal que nos deixar em total paz interior. Namaste. Os comandos do rádio e volume é que estão assim numa posição algo curiosa, à direita da caixa de velocidades. Parece que estão ali para serem operados pelo passageiro. Ainda assim, raramente os vais utilizar porque tens comandos rápidos no volante.
Extra! Extra!
Naturalmente, qualquer marca do segmento premium faz valer o nome. Seja pela qualidade e conforto, seja pela lista de opcionais extensa e, não raras vezes, cara. Este Audi A3, apesar de trazer praticamente todos os sistemas de segurança mais actuais – nesse campo não tens de te preocupar com nada – trazia também alguns extras. Se são essenciais? Talvez não. Mas alguns são bem bons, como os bancos desportivos (415€), volante desportivo (145€), jantes de 18 polegadas (1.885€), entre outros. O ar condicionado bi-zona é de origem, bem como o painel de instrumentos digital, os faróis LED, o sistema de som de 100 watts e 6 colunas, os sensores de estacionamento traseiros (a câmara custa 500€ ou incluída em pack), suspensão dinâmica e modos de condução, entre outros.
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Como vês, pode ser premium, mas não sais do stand de mãos a abanar. Nada disso. Por cerca de 30.000€ levas um carro com um óptimo motor, um estilo visual dinâmico e bonito, com bastante equipamento e um ou outro extra. Dentro do segmento e da gama premium, este Audi A3 30 TFSI é capaz de ser o que me enche mais as medidas.