Corrida à Lua continua, agora com a GM e a Lockheed Martin
O regresso à Lua está nos planos de muitos, com as várias potências mundiais há muito a esgrimirem argumentos, à laia do célebre “o meu é maior que o teu”, no que que se refere a chegar, aterrar e explorar com sucesso o nosso satélite natural. Com isso, para além do que lá aterra e regressa à Terra – ou nem tanto, dado que muito torna-se lixo espacial, pois o custo e logística de recuperação é enorme – têm por lá passeado uma série de Moon Rovers, veículos destinados à exploração da dita e que podem, por meios próprios, rolar sobre a sua superfície, num filão que teima em não terminar. O próximo nascerá da associação entre a GM e a Lockheed Martin, projecto anunciado há dias pelos próprios.

São três os países que já colocaram pelo menos um rover na Lua, a Rússia ou, melhor dizendo, a URSS, os EUA e a China, por esta ordem, só não sendo quatro porque a Índia viu ruir a missão Chandrayaan-2, destruída na aterragem, pelo que o Pragyan que seguia a bordo não chegou a tocar no solo, pelo menos inteiro! A grande maioria desses veículos era telecomandada, sendo apenas três os com que tiveram astronautas ao volante.
Do lado soviético houve a geração Lunokhod, integrado em diversas missões Luna. Em 1969, o Lunokhod 0 não chegou a sair da Terra, pois o lançamento do foguetão que o levava a bordo não correu de acordo com os planos, pelo que seria o Lunokhod 1 (expedição Luna 17) o primeiro a colocar as rodas em solo lunar, por lá rolando entre 1970 e 1971, a que se seguiu o Lunokhod 2, activo durante o ano de 1973 (Luna 21), para quatro anos mais tarde se cancelar a missão seguinte, onde iria a bordo o Lunokhod 3.
Entretanto, entre 1971 e 1972, os americanos, em três missões Apolo consecutivas (15, 16 e 17) colocavam na Lua outros tantos Lunar Roving Vehicle (LRV, LRV-2 e LRV-3), veículos que, ao contrário dos restantes, eram conduzíveis pelas equipas de astronautas que os acompanharam nessas missões. Qualquer deles nunca se afastou mais do que meia dúzia de quilómetros do módulo principal, tendo percorrido distâncias totais que nem chegaram aos 40 km.
A proposta que mais recentemente lá chegou – o telecomandado Yutu – teve assinatura chinesa, integrado na expedição Chang’e 3. Recolheu o que pôde entre 2013 e 2016, dando em 2019 lugar ao Yutu-2, sendo o único Moon rover presentemente em actividade, levado na missão Chang’e 4.
Em desenvolvimento estão muitos outros exemplares, em projectos com as mais diversas origens e entidades envolvidas, como os conceitos Audi Lunar Quattro (de 2018) e Toyota Lunar Cruiser (2019), sendo o mais recente este agora anunciado pelas norte-americanas GM e Lockheed Martin. Muitos deles estão subjacentes ao programa “Artemis” da NASA, que prevê o regresso dos humanos à Lua, a breve trecho, tendo a entidade norte-americana encomendado à indústria aeroespacial projectos para os agora denominados Lunar Terrain Vehicle (LTV), que permitam ir bastante mais além – em distância e recolha de conteúdos e informações – do que os resultados obtidos no século passado ou mesmo dos telecomandados mais recentes.
Recorde-se que a General Motors, através do seu Defense Research Laboratories de Santa Barbara, no estado da California, foi responsável pelo sistema de mobilidade (chassis, motores, rodas e suspensões) dos LRV dos programas Apolo 15 a 17, tendo antes desenvolvido outros conteúdos para outras missões, nomeadamente a Apollo 11 e a chegada do Homem à Lua, em 1969. Já a Lockheed Martin traz consigo uma inigualável experiência e capacidades na exploração espacial, num vasto e recheado curriculum que integra construção de veículos espaciais e sistemas que apontaram a todos os planetas, estiveram em todas as missões da NASA a Marte, incluindo a construção de 11 dos veículos espaciais envolvidos no programa, tendo tido papéis de relevo nos programas dos célebres Space Shuttles e da própria Estação Espacial Internacional.
Mais detalhes serão anunciados em breve! Para aguçar o apetite deixamos-vos os teasers promocionais dos 3 projectos mais recentes: Audi Lunar Quattro/PT Scientists, Toyota Lunar Cruiser/JAXA e General Motors/Lockheed Martin.
Fotos: Oficiais / NASA – Audi – General Motors – Toyota