Algarve 2021: Fui de férias com o Giulietta. Finalmente
Conduzir, em média, dois carros novos por semana é algo que, felizmente, já faço há algum tempo e de que não me canso. Potentes ou mais fraquinhos, grandes novidades ou simples actualizações, pequenos ou grandes, recebo-os, sempre, com entusiasmo, quer na minha agenda, quer à porta de minha casa, onde passam alguns dias para que os possa experimentar e levar até vocês as minhas impressões de condução, os pontos bons e menos bons, consumos expectáveis. Informação, acima de tudo, séria e sustentada, transmitida de forma descontraída.
Sempre o quis fazer e quero continuar a fazê-lo, por isso, no que depender de mim, é algo para fazer o resto da vida, se possível, com motores de combustão à mistura. Por outro lado, quem sofre é o meu carro. Sofre porque acredito que goste de ser conduzido, tanto como eu gosto de o conduzir. Os carros são feitos para andar e a verdade é que se passaram dois anos – algo “pandémicos” e, assim, limitativos – e quase não utilizei o meu carro “novo”. O meu saudoso Ibiza TDI sempre soube o que era andar, mesmo com carros de ensaio pelo meio, chegou a fazer 35 mil quilómetros por ano. Já o Giulietta que o substituiu fez qualquer coisa como 8000 quilómetros em quase dois anos. Isto não podia continuar assim.
Sim, obviamente já tive a sorte de poder usufruir do conforto de um carro novo, cedido para teste, durante um passeio maior nas minhas férias. Não posso dizer que tenha acontecido assim muitas vezes, mas já calhou. Este ano, para o fim-de-semana que reservei para ir até ao sítio onde, habitualmente, toda a gente vai menos eu, o Algarve, não tinha qualquer carro agendado para ensaio que pudesse levar. E, como referi, por muito que goste de o fazer, esta obrigação de ter de usar o meu carro particular foi a melhor coisa que me podia ter acontecido. E porquê? Porque o nosso carro, por nós escolhido, é o melhor de todos, sempre. Independentemente da potência, do seu estado e do dinheiro que custou, o nosso carro é aquele com o qual criamos memórias.

Dos meus Ibiza – do que ainda tenho e daquele que, infelizmente, já me separei – tenho muitas e boas memórias. Com o mais recente membro da garagem, o meu Alfa Romeo Giulietta, poucas oportunidades tenho tido. Por isso mesmo, desta vez não podia passar e lá fui eu até aos “Algarves”, ter com uns amigos, no meu Alfa. Malas feitas, pressões e níveis verificados e depósito atestado – e a 1,82 €/ litro, a minha cabeça foi invadida pela voz de Artur Albarran, um autêntico “drama, um horror, uma tragédia” – lancei-me na viagem, entrando na A2 ao final de tarde de uma quinta-feira. No meu carro, com a minha música, com a bonita luz de um sol cada vez mais fraco a desaparecer ao meu lado, foi, como se desejava, memorável.
Não vos vou massacrar com detalhes da viagem, nem discutir a pouca utilização das ciclovias ou procurar perceber como justificar um veículo eléctrico para longas viagens. Isso fica para novas crónicas, no futuro. O que quis, com este texto, foi mostrar que, por muito preenchida com carros novos que a minha agenda possa estar – e não está mais por razões fora do meu alcance – alguns deles bem luxuosos e confortáveis, outros muito potentes e emocionais, não há nenhum que ofereça o que o meu oferece, que fale comigo como ele fala, que transmita as mesmas sensações e que, acima de tudo, crie as mesmas memórias.
Fotografias: Pedro Francisco