Dacia Jogger: o novo rei da versatilidade
Não há nada como ir direito ao assunto. Por essa razão, vou deixar de parte a habitual introdução em que falo da constante e muito positiva evolução da Dacia, de como os seus automóveis se afastam cada vez mais do argumento do preço baixo, mantendo-o, mas apostando, por exemplo, em equipamento e numa imagem cada vez mais em linha com o praticado nos segmentos onde joga com os seus modelos, bem como dos seus impressionantes resultados comerciais. Já não é notícia e já tudo foi dito. O que é novidade, isso sim, é a introdução de mais um modelo na gama da Dacia, este novo Jogger, aqui em ensaio na sua versão SL Extreme.

Jogger. O que é?
Este novo modelo da Dacia quer ser tanta coisa ao mesmo tempo que acaba ser difícil resumi-lo num só tipo de modelo ou proposta. É, indiscutivelmente, um familiar. Mas também é uma muito versátil carrinha, capaz de transportar sete passageiros ou, retirando-se os bancos, um verdadeiro veículo de transporte de mercadorias. É, ainda, outra coisa. Não tem o formato tipicamente SUV, mas com uma boa altura livre ao solo, protecções plásticas da carroçaria e barras de tejadilho, é, igualmente, um crossover urbano com espírito para se aventurar numas escapadelas até à praia ou serra. Versátil na abordagem aos vários tipos de utilização e necessidades dos condutores e versátil, também, como veremos, no seu interior. Como um amigo o resumiu, é o Matra Rancho dos tempos modernos.
Para 5, para 6 ou para 7
Disponível em duas configurações interiores, com lotação para cinco ou para sete passageiros, o Jogger tem por isso de ser um automóvel comprido. E não o esconde. Aliás, não o consegue, de todo, esconder, pois visto de perfil, é realmente fácil ver os mais 4,5 metros que mede. E para conseguir, igualmente, proporcionar um bom acesso ao compartimento de bagagem, também a porta traseira tem de ter umas dimensões consideráveis.
Assim, com base numa plataforma apontada maioritariamente a veículos de segmento B, mas numa proposta que pretende oferecer bastante mais do que um utilitário, os designers da Dacia não tiveram uma tarefa fácil para conseguir manter uma certa harmonia na carroçaria do Jogger à medida que se avança da dianteira para a traseira. No entanto, no seu conjunto, o Jogger resulta bastante bem, não parecendo, simplesmente, um Sandero ao qual foi adicionado um maior compartimento de passageiros.
Aos passageiros da segunda fila não falta espaço. Quer dizer, dito assim, até parece que podem viajar de pernas esticadas, o que não é o caso, mas o dono do Jogger não vai, certamente, ouvir queixas de quem com ele viajar. O túnel central é baixo e até em largura o banco traseiro me pareceu ter centímetros suficientes para que três pessoas passeiem em relativo conforto. Mas fá-lo-ão numa posição um pouco mais alta do que eu gostaria, uma vez que a posição do banco da segunda fila tem de permitir algum espaço para os pés de quem viajar ainda mais atrás.
Já as grandes portas traseiras abrem muito e o rebatimento do banco é feito de forma fácil. Porém, como seria de esperar, o acesso à terceira fila requer alguma ginástica e, para os mais enferrujados, algum WD-40 para os joelhos e costas. Ainda assim, uma acessibilidade perfeitamente aceitável e, depois de instalado, não achei a experiência má de todo, não faltando, inclusivamente, janelas com abertura lateral.
Com os sete lugares a uso, não se espere muito espaço disponível para bagagens, mas por ali ainda devem caber duas malas de cabine e um ou outro saco. Tirando-se a terceira fila de bancos do caminho, o volume disponível cresce e de que maneira, mas infelizmente o Jogger não tem um sítio específico para guardar o rolo da chapeleira. Há que improvisar, nem que seja na despensa de casa.
Motor surpreende
Como é habitual no catálogo da Dacia, o novo Jogger pode ser configurado com o motor 1.0 ECO-G Bi-Fuel, a gasolina e GPL, com 100 cavalos, ou com esta variante mais potente, exclusivamente a gasolina, com 110 cavalos e 200 Nm. Sendo um motor três cilindros, sentem-se algumas vibrações no volante quando está ao ralenti, mas em andamento poucas ou nenhumas chegam às mãos do condutor. Gostei, também, da insonorização do motor a ritmos mais elevados, respirando às 2.500 rpm a 120 km/h. Nesses momentos, apenas os ruídos aerodinâmicos são mais audíveis.
Disponível desde os baixos regimes – inclusivamente quando se activa o modo ECO, o que nem sempre acontece noutros modelos – o pequeno “mil” é capaz de dar ao Jogger um andamento muito interessante. Porém, com a lotação esgotada ou com muita carga a bordo, não podemos esperar a mesma performance. Não arranjei seis pessoas para fazer o teste, mas não devo estar muito enganado ao dizê-lo. Nota positiva para o consumo, valor que, sem grandes exageros, mas também sem grandes preocupações, se ficou pelos 7 lt/100 km.
O comportamento é, igualmente, muito são. O Jogger não gosta de pressas, mas não entra em pânico se o ritmo subir um pouco, respondendo com segurança ao que lhe pedimos, sempre muito estável. A prioridade, ao rolar, é o conforto, e também os pneus com perfil elevado ajudam a que essas impressões sejam boas. Algo que tem vindo a evoluir, mas que me parece ter ainda alguma margem para melhoria, é a direcção, algo lenta e, provavelmente, demasiado desligada.
O preço, sempre o preço
Continuem a “bater” o que quiserem nos materiais dos Dacia, mas a verdade é que há outras marcas a adoptarem uma abordagem idêntica de forma a reduzirem os custos. E estão longe de ser marcas com um posicionamento como o da Dacia. O habitáculo pode ser maioritariamente feito de materiais rijos, mas o tablier tem uma zona forrada a tecido. O infotainment conta com ligações sem fios aos smartphones e até os comandos da climatização – botões rotativos, como deviam ser sempre – têm um toque de qualidade na sua actuação.

Sim, há uma ou outra aresta por limar, literalmente, e o suporte para o smartphone mete-se no caminho da visão. A direcção merece, também, um pouco de atenção para tornar a experiência mais confortável. Mas como disse anteriormente, são poucas as necessidades a que este Jogger não consegue responder. Muito espaço, bem equipado, versátil e com o visual mais desejado. Em breve passará a ser, igualmente, o primeiro modelo Dacia electrificado, o que o tornará uma proposta ainda mais apelativa. Até lá, este SL Extreme de 7 lugares, em Castanho Terracota, com o motor mais potente da gama e o Pack Comfort II, custa 22.100 €. No entanto, o Jogger está disponível por um preço base de 16.500 euros. Leram bem. O preço, sempre o preço.