FIAT 500X Yacht Club Capri – Pela costa marítima ou à beira-rio, a céu aberto
Se há pessoa com pouco espírito náutico, essa pessoa sou eu. Vivo e sempre vivi perto do mar e não me imagino a dele afastar-me. Mas prefiro vê-lo a partir de terra, onde me sinto bastante mais seguro, do que me atirar, literalmente, para fora de pé. Mas não é por isso que não percebo o seu apelo, seja pelas inúmeras actividades e desportos aquáticos, ou por estilos de vida mais glamourosos, a bordo de uma elegante lancha Riva, por exemplo.
Esta edição especial Yacht Club Capri do FIAT 500X não foi, assim, desenvolvida para pessoas como eu, mais “pés na terra” do que cabeça debaixo de água. Mas, uma vez mais, tal como a bordo de uma lancha vintage, com uma garrafa de Martini, a companhia certa e o Lago Como como cenário, tenho de ceder aos seus encantos.
Estética
Da mesma forma que a primeira geração do Porsche Cayenne pecou, aos meus olhos, por ser esteticamente demasiado próxima do 911, também torci o nariz quando a FIAT mostrou este 500X, com um design demasiado próximo do perfeito 500. Mas se, actualmente, continuo a não suportar esse primeiro Cayenne, admito que tenho vindo a desenvolver uma certa simpatia com o 500X.
E este é bem capaz de ser o 500X mais elegante que já vi. A cor é belíssima, os detalhes na carroçaria e jantes elevam-no a um outro patamar de requinte e o interior em tom claro com o tablier a imitar madeira dão o toque final. Não é um veículo premium, pois continua a ser um 500X, mas a verdade é que a sensação é a de estarmos a bordo de um crossover um pouco mais especial do que é habitual no segmento.
Interior
Os bancos são, para além de bonitos, muito confortáveis. Aprovo a posição de condução – considerando que estamos na presença de um crossover urbano, claro – colocando-nos por cima da acção, o que favorece a visibilidade para a frente. Esta só não é melhor porque o pilar A é um pouco largo demais. Atrás, há espaço adequado para dois passageiros e, como habitual no segmento, é à justa para três.
A folga para os joelhos, considerando o banco do condutor ajustado para minha posição, é de cerca de três ou quatro dedos. Já para a cabeça as novidades não são tão boas. Isto porque a presença da estrutura do tecto panorâmico em tecido não permite que pessoas com mais de 1,80 metros de altura se sintam confortáveis. O 500X compensa com janelas traseiras que abrem totalmente, algo que não está ao alcance de todos os modelos rivais.
Condução
Ao volante, tenho de começar pelas óptimas sensações a céu aberto. No dia certo, este 500X é o companheiro indicado para viajar, não só à beira-mar, mas também pelo campo dentro. Muito positivas são também as minhas impressões sobre o seu rolamento, denotando um pisar, sem melhor palavra para o definir, “crescido”. Não posso dizer “refinado”, mas surpreende, e muito, pela positiva, com uma suspensão que oferece um conforto assinalável, mesmo sobre piso degradado.
Por outro lado, o chassis com suspensão independente no eixo traseiro confere ao 500X um comportamento dinâmico muito competente. Sem entusiasmar, gostei da agilidade e da estabilidade demonstradas. Ainda no capítulo dinâmico, importa mencionar a presença de alguns ruídos aerodinâmicos a ritmos de autoestrada, justificados, em grande parte, pela menor insonorização inerente ao tejadilho retráctil.
Motor
O motor 1.0 Turbo, a gasolina, causou-me um misto de sensações, umas boas e outras nem tanto. Pareceu-me agora mais refinado do que da última vez que o experimentei, sem vibrar exageradamente ao ralenti por se tratar de um bloco de três cilindros e com uma sonoridade que, embora presente, nunca chega a incomodar. Gostei, também, do andamento que os 120 cv dão ao 500X, bem como do conforto de utilização da caixa manual de 6 velocidades. Puxando pela mecânica, este mais especial 500X YCC mexe-se bastante bem.
O problema é que mesmo andando devagar, com juízo no pé, o consumo continua a ser algo elevado. Fiz uma viagem de 300 quilómetros, maioritariamente em estrada nacional, e mesmo com uma ou outra “loucura” pelo meio, o consumo não excedeu os 6,2 lt/100 km. Mas na cidade, nas voltinhas, na “lufa lufa” diária, só com muita dedicação e delicadeza consegui manter o computador de bordo nos 8 lt/100 km. Ou seja, sem ter essa atenção adicional, a média facilmente resvala para valores bastante antipáticos.
Preço
Em 2018, tive o privilégio de ir a Itália conhecer em primeira mão o 500X. Foram dois dias muito agradáveis, no cenário certo, a cidade de Turim, para conhecer o novo crossover urbano da FIAT. Quatro anos depois, a bordo desta versão YCC, não me foi possível, por razões óbvias, apontar a Capri. Fui, por isso, a Montargil, um destino em tudo – ou em quase nada – idêntico, mas acima de tudo, um destino náutico e uma excelente forma de “esticar as pernas” ao mais exclusivo dos 500X e assim colocá-lo à prova.
Regressei, como disse, impressionado com o conforto e, também, com o seu eficaz comportamento, dinâmica que não resisti a explorar quando o percurso se tornou mais sinuoso. O consumo na viagem também mereceu nota positiva, mas assim que regressei à cidade e os quilómetros começaram a acumular-se, o consumo elevado deste FireFly começou de imediato a revelar-se. Este continua a ser o ponto em que me parece essencial algo ser feito. Se bem que o 500X é um óptimo candidato a receber os novos motores e-Hybrid que fomos conhecer há umas semanas com os primos da Jeep, o Compass e o Renegade.

A FIAT pede 31.865 euros por este 500X Yacht Club Capri com motor 1.0 FireFly, a gasolina, de 120 cavalos. Assim, não é, nem podia ser, a versão mais apelativa do ponto de vista do preço, pois mesmo com o apoio à retoma no valor de 4.000 euros, o preço final é de 29.438 euros. Se como eu, não tens “veia marítima”, é melhor olhares para a restante gama, mas volto a dizer: este Yacht Club Capri é uma proposta especial e, provavelmente, o “mais italiano” de todos os 500X.