Rally de Portugal 2023: Fui a Fafe ver a Toyota vencer o “nosso” rali
A convite da Toyota, fui até ao norte do nosso país para acompanhar o Rally de Portugal, prova ganha, uma vez mais, por Kalle Rovanperä, o atual campeão do mundo. O piloto finlandês venceu 10 das 19 classificativas da edição de 2023 do “nosso” rali e repetiu, assim, o triunfo do ano passado.
Reconheço que acompanhar um rali a partir do conforto de casa é um luxo que aprecio. Uma boa equipa de jornalistas e de operadores de câmara, imagens on-board de alta-definição, bons microfones e helicópteros extremamente bem pilotados resultam, muitas vezes, num tremendo espetáculo audiovisual graças a esta eficaz combinação de recursos humanos e tecnológicos. Se, como eu, “perdem” horas no Youtube a ver vídeos antigos de ralis, não podem negar a evolução.



Mas no conforto da minha casa, apesar de poder ver e rever várias classificativas, várias zonas espetaculares em cada uma delas e assistir às sempre difíceis entrevistas aos pilotos no final de cada troço, falta-me aqui um pouco daquele ambiente, essa componente essencial que só ali, no palco daquela tremenda festa – em especial em Fafe – se pode sentir e absorver. Seja junto das brasas num grelhador na berma da estrada ou debaixo de uma bandeira que se agita no topo da pedra mais longínqua, fãs acumulam-se um pouco por toda a parte, colorindo aquela paisagem normalmente verde. Mais do que um mar de gente, um mar de fãs que se respeitam mutuamente, independentemente das cores da marca por quem torcem ou do piloto que mais admiram.



Breve resumo do Rally de Portugal 2023
Pela liderança da prova passaram quatro pilotos diferentes, Loubet, Tänak, Sordo e Rovanpëra, o que significa que as três marcas que compõem o curto pelotão de “monstros” Rally1 – Ford, Hyundai e Toyota – estiveram, pelo menos momentaneamente, no primeiro lugar. Porém, logo na quinta classificativa, a segunda passagem pelo troço de Góis, o jovem piloto da Toyota – que ainda não tinha vencido este ano – assumiu o topo da classificação para não mais a perder. Rovanperä venceu, inclusivamente, a Powerstage, na segunda passagem por Fafe, aumentando a vantagem para os seus rivais quando todos esperavam alguma gestão e contenção no andamento. Rovanperä venceu com o seu Yaris, a Hyundai viu os i20 de Sordo e Lappi garantirem, respetivamente, os segundo e terceiro lugares do pódio e Ott Tanäk recuperou com o seu Puma até ao quarto lugar final após um furo que o atrasou na sexta-feira.



Nos bastidores da Toyota Gazoo Racing
Tive igualmente oportunidade de estar no centro da ação da estrutura da marca japonesa no campeonato do mundo de ralis e de acompanhar de perto o início dos trabalhos num dos Yaris dos seus pilotos, neste caso o do também japonês, Katsuta. Assim que se abriu a janela de tempo para se poder trabalhar no Yaris, teve início uma espetacular dança sincronizada de mecânicos ao som de ferramentas manuais e pneumáticas para que, nem um par de minutos depois, por entre as suas fardas negras, o Yaris se fosse revelando cada vez mais despido dos seus componentes. Ainda que por breves instantes, também este espetáculo foi bem diferente de assistir ao vivo do que numa reportagem a partir de casa.


Fomos ainda recebidos por Rui Soares, o engenheiro português responsável pelo Yaris conduzido por Elfyn Evans que connosco partilhou alguns “segredos” sobre o funcionamento da equipa. Abordou temas como a elaborada logística de toda a operação e destacou a importante comunicação entre os pilotos, os quais partilham as suas sensações após o final das provas. Abriu, igualmente, um pouco o jogo sobre o exigente trabalho de preparação das “máquinas”, partilhando, por exemplo, o facto de o sistema híbrido poder ser parametrizado na entrega da sua potência de forma a satisfazer o gosto do piloto ou a adaptar-se melhor ao perfil das classificativas ou como, através de afinações na suspensão, é possível variar o equilíbrio e comportamento do Yaris. Admito que ficava ali umas boas horas a ouvi-lo falar.


Rally de Portugal confirmado para 2024
Em 2019 estive no troço da Lousã e regressei a casa com uns 5 kg de pó em cima. Porém, não me arrependi. Estar lá é diferente. Vê-se menos, é certo, mas é muito mais recompensador e entusiasmante. Quatro anos é muito tempo afastado daquele cenário e agora que a edição de 2023 já lá vai, aguardo ansiosamente pela próxima, até porque a sua realização está já confirmada. Até para o ano!