SUV ou station wagon: Qual gasta menos combustível? Um caso prático
Por motivos profissionais, tive de me deslocar à sempre maravilhosa província de Trás-os Montes. A preparação de um evento à beira do Douro obrigou-me, assim, a percorrer quase 800 quilómetros, muitos deles em autoestrada – A1 e A24 – num percurso que também incluía uma boa porção de fantásticas estradas nacionais repletas de curvas.
As viagens de ida e volta foram feitas com um intervalo de 24 horas em dois automóveis diferentes que no fundo são, literalmente, o mesmo. Só que, na verdade, não são. Pertencendo ao mesmo grupo automóvel, “partilham” a plataforma, recorrem ao “mesmo” motor Diesel e este está, em ambos os casos, acoplado a uma caixa automática de 8 velocidades em tudo idêntica. Porém, não podiam ser mais diferentes em termos de carroçaria.
A ida de SUV
Apontei ao norte do nosso país a bordo de um moderno SUV de segmento C. Espaçoso, confortável, com uma boa posição de condução – elevada e a privilegiar a visibilidade para a frente – um modelo de tração dianteira, com jantes grandes, com um peso de 1.525 kg e que oferece uma bagageira com um volume ligeiramente acima dos 500 litros. O típico automóvel que o cliente português vê como ideal para o seu dia-a-dia, para passear com a sua família nas férias.



O regresso de station wagon
Para o regresso, “saiu-me na rifa” um outro modelo de segmento C, no entanto, com um formato de carroçaria station wagon. Uma silhueta ainda muito apreciada em Portugal, mas nos últimos anos “ameaçada” pelo fenómeno SUV. Senti-me, imediatamente, mais envolvido na condução e a ligeiramente menor altura livre ao solo em nada me atrapalhou quando tive de superar lombas e buracos na estrada. O espaço atrás, neste modelo em concreto, é inferior ao oferecido pelo SUV, reconheço, mas a bagageira é bem maior, superando os 600 litros de capacidade. O plano de carga é também muito mais baixo, tornando-se, assim, uma opção bastante mais prática e versátil do que o SUV.



As contas do combustível
Com 1.475 kg, esta station wagon é, também, 50 kg mais leve do que o SUV. A sua carroçaria é ainda 17 centímetros mais baixa do que a do modelo que me levou até ao Douro. Este é, certamente, um dos elementos que explica a diferença no coeficiente aerodinâmico de ambos os modelos: 0,28 vs. 0,31.
Sei que são muitas as variáveis em jogo, mas o que importa reter deste “estudo” é que, com a mesma tecnologia disponível, com o mesmo condutor ao volante e com um percurso idêntico – não esquecendo a influência de ter sido feito em sentidos diferentes – tudo o que enunciei acima traduziu-se numa diferença de consumo de combustível considerável, cerca de 35%. Cheguei ao Douro com uma média final de 7,1 lt/100 km, mas regressei a Lisboa com uma média de 5,2 lt/100 km.

Repito, este caso prático – em estrada “aberta” e a ritmo médio/alto, mas dentro dos limites legais – não traduz todas as situações possíveis, nem é garantia de que um SUV será sempre mais gastador do que uma qualquer outra silhueta de um modelo equivalente, teoricamente mais favorável a “cortar” o ar. Mas se nestes 400 quilómetros a diferença foi inquestionável, façam as contas aos quilómetros que percorrem todos os meses ou por ano.
Não vou mencionar os modelos em questão, nem é isso que importa. Independentemente da marca e modelo, o que aqui pretendo expor é, de uma maneira geral, transversal a todos eles e a todos os segmentos. Sejam automóveis a gasolina, com motores Diesel, híbridos ou elétricos, o que aqui aponto não é um defeito deste ou daquele automóvel, mas sim algo que deve ser bem ponderado quando chegar a altura de colocar em prática a teoria de que a solução ideal para a garagem lá de casa é um SUV. Quase sempre, não é.