Ensaio Sprint: Nissan Leaf e+ N-Connecta 62 kWh
Regressei ao Nissan Leaf para tomar contato com a sua mais recente atualização e para comprovar se – mesmo depois de vários anos de serviço desta segunda geração – é ainda uma opção a considerar num mercado onde a oferta elétrica é cada vez mais vasta e moderna.
Posso adiantar-vos que sim, o Leaf ainda é uma opção a considerar. Uma boa opção, aliás. O design exterior começa a acusar a passagem dos anos – e as novas jantes não ajudam – mas não posso não ficar agradado pelo simples facto do Nissan Leaf ser um outrora vulgar hatchback e não apenas mais um SUV, atualmente, esse sim, vulgar. É inevitável que se venha a transformar num no futuro, mas para já, celebro o facto de ser um familiar compacto como os do “meu tempo”.


É maior do que parece
Não parece, mas sendo um modelo do segmento dos compactos, o Leaf é um automóvel grande e isso nota-se no seu interior. A bagageira é volumosa e o espaço disponível atrás é também bastante bom. O túnel central é um pouco incomodativo se a ideia for usar o lugar central, mas o desenho do banco traseiro é claramente o ponto menos bom do habitáculo, não proporcionando uma posição muito confortável para as viagens maiores.


Passando para a frente, reconheço que gostei mais de conduzir este Leaf “intermédio” do que a versão topo de gama que guiei há dois anos. Os bancos em tecido são confortáveis e uma vez que predominam os plásticos rijos no habitáculo, achei que a dotação de equipamento mais contida desta unidade está mais alinhada com o posicionamento atual do Leaf, numa gama elétrica onde a Nissan já propõe o novo e bem mais evoluído Ariya.


Sim, no interior ainda se nota mais que o projeto Leaf não vai para novo, mas gostei da simplicidade visual do painel de instrumentos, fácil de ler e com informação completa. O tablier tem botões, imagine-se, mas não lhe falta um sistema de infotainment que não inclui, felizmente, os comandos da climatização, pois essa dispõe de uma consola dedicada. O manípulo da transmissão é, provavelmente, o elemento mais moderno, mas é intuitivo de usar.

Ao volante, apreciei a boa resposta da direção, bem como o nível de conforto oferecido. Mesmo sem o refinamento de rolamento de alguns rivais mais modernos, gostei da capacidade de filtragem combinada da suspensão e dos pneus do Leaf. Menos boa é, sem dúvida, a solução antiquada adotada pela Nissan para o travão de estacionamento, um sistema mecânico, por pedal, acionado pelo pé esquerdo.


Despachado, mas também eficiente
Equipado com uma bateria de 62 kWh e um motor elétrico de 217 cavalos, o Leaf promete uma autonomia máxima de 385 quilómetros. Já o carregamento pode ser feito até uma potência máxima de 100 kW num posto DC. Neste ensaio, não fiz teste de carregamento, mas posso dizer-vos que recorrendo, pontualmente, ao modo Eco, bem como à função One Pedal ao conduzir em cidade, fechei o teste com um consumo bastante convincente de apenas 13,7 kWh/100 km.


A concorrência é atualmente muito maior, mas a segunda geração do Leaf nasceu bem. Prova disso é que, vários anos depois, continua ainda a ser uma proposta muito boa no mercado dos compactos elétricos. Nasceu bem e, a meu ver, envelheceu melhor. Numa atualidade automóvel dominada pelos SUV, pelas suspensões rijas e pela digitalização, soube-me bem reencontrar-me com o eficiente, confortável e descomplicado, Leaf. Aquele terceiro pedal é que não, Nissan.