Preciso de um Golf, mas quero um MX-5
Começo este artigo sobre o Mazda MX-5 a falar de um outro automóvel completamente diferente, o Volkswagen Golf. Ambos com quatro rodas e um motor e ambos, também, tremendos sucessos de vendas nos seus respetivos segmentos. Pouco mais têm em comum enquanto veículos de quatro rodas, mas há algo mais que partilham e que, acredito, é um ótimo tema de discussão: o facto de, para muitas pessoas, pouco ter mudado a cada nova geração Golf apresentada ou a cada nova atualização introduzida no mais recente dos MX-5.
A Volkswagen é um alvo constante de críticas, por vezes injustas, dos entusiastas de automóveis por pouco mudar o Golf – pelo menos a nível estético – quando introduz uma nova geração. Umas mais do que outras, é certo, mas a verdade é que todas elas foram um sucesso. Acho a atual oitava geração do compacto alemão um ótimo automóvel, mas não o considero o ponto alto na sua já longa história. Nem esteticamente, nem ao nível dos materiais e ergonomia. Continua, globalmente, muito bom, sim, mas já foi melhor. E se em equipa que ganha não se mexe – ou mexe pouco – como a marca alemã tão bem tem demonstrado desde a década de 70, tinha preferido que, da sétima para a oitava geração, não tivessem mexido tanto.


Sinto que o brilhante MX-5 ND é, à sua maneira, o equivalente em formato roadster da sétima geração do igualmente brilhante Golf da Volkswagen. Faz tudo aquilo a que se propõe de forma exemplar e sinto-o, por isso mesmo, no limite de uma evolução que, de forma moderada, o tem vindo a tornar num dos mais incríveis automóveis que tive oportunidade de conduzir. Porém, temo pela chegada do dia em que a simples introdução de novas linhas de equipamento seja superada pela chegada da eletrificação ou outra moda/requisito que desvirtue o conceito original do MX-5, esse sim, inalterado desde a primeira geração.


Sim, eu sei que um moderno ND nada tem a ver com um original e mais puro NA blá, blá, blá, batatas com bacalhau e o NB com motor “1.8” é que é por causa do autoblocante e o volante Nardi e mais um par de botas e o NC é que não por causa disto e daquilo e mais não sei quê. Não sou entendido na matéria, assumo, mas tenho as minhas preferências, ainda que nunca tenha conduzido um NB, admito, também. E o meu preferido é o ND. É absolutamente genial, viciante e é, num mundo sobre rodas cada vez mais dominado por automatismos e tecnologia, também capaz de oferecer uma experiência emocional, de ligação com a máquina, com a estrada, com o exercício da condução cada vez menos apreciado.


Não me canso do Mazda MX-5. Não posso deixar de o elogiar e, consequentemente, o trabalho feito pela Mazda, uma marca que continua a desafiar o mercado ao escolher um caminho diferente, não necessariamente o mais fácil e racional, mas um que não esquece o condutor que gosta de conduzir. Evoluam o MX-5, mas, por favor, evoluam-no cada vez menos. Não excedam a tolerância que coloca a razão à frente da emoção, tal como a Volkswagen fez, no sentido inverso, com o Golf. Preciso de um Golf e assumo que, muito provavelmente, terei um nos próximos anos. Mas querer, para mim, para ir, para conhecer, para, simplesmente, conduzir, quero um MX-5.