Ensaio Sprint: Cupra Born eBoost 77 kWh
Passou pouco mais de um ano desde que me estreei ao volante do primeiro 100% elétrico da Cupra. Depois de ter conduzido a versão com motor de 204 cavalos e bateria de 58 kWh, o Born regressou à Garagem para se dar a conhecer na sua versão eBoost com motor de 231 cavalos e com bateria de 77 kWh.
As primeiras sensações após este reencontro foram, no fundo, a repetição das boas impressões que o Born já tinha deixado no ano passado. Ao nível do design, o Born não esconde a sua genética ID.3, mas deixa de parte algum do minimalismo do parente alemão para no seu lugar apostar em linhas mais desportivas e com mais carácter. Idênticos, sim, mas a estética do Born parece reunir mais fãs, pois até um condutor de um ID.3 mo admitiu.


É maior do que parece
Por dentro, agradou-me, novamente, a combinação do ambiente desportivo com um elevado grau de usabilidade do habitáculo. Compacto por fora, mas espaçoso por dentro, o Born conta igualmente com uma boa bagageira, mais do que apta para uma viagem a quatro. O espaço atrás é também mais do que suficiente para dois adultos e o assento, bem desenhado, proporciona um bom suporte para as pernas.


À frente, excelentes bancos – cujo design integral ocupa muito do campo de visão de quem viaja atrás – e uma posição de condução muito boa, com ótima visibilidade dianteira proporcionada pelo muito vidro e pelos pilares A muito finos. Tablier, consola e portas tanto usam materiais mais agradáveis ao toque como outros mais rijos, mas a combinação de cores e texturas resulta num conjunto, a meu ver, muito agradável.


Ainda à frente, continuo a aguardar por uma melhor solução para os comandos dos vidros elétricos, bem como para os da climatização. Estes últimos estão muito dependentes do ecrã central e da barra tátil não iluminada. Percebo o conceito “clean”, mas fazem falta alguns botões adicionais que em muito facilitariam a experiência.
O Cupra Born mais potente
Equipado com uma bateria de 77 kWh e com um motor de 231 cavalos, este é, para já, o Born mais rápido do mercado. Com uma aceleração de 0 a 100 km/h em 7 segundos, só “retira” 0,3 segundos ao Born de 204 cavalos, é certo, mas ao volante a diferença é mais percetível. São apenas três décimas, mas também são “só” mais 27 cavalos para suportar esta bateria de 77 kWh que faz o Born pesar mais 200 kg.


Dinamicamente, o Born claramente está entre os elétricos mais competentes e divertidos do mercado. Convida, até, a explorar as suas capacidades através de uma direção rápida e precisa, bem como pelo facto de se tratar de um elétrico de tração traseira que, ainda que não permita um elevado grau de liberdade, se deixa levar em ligeiras escorregadelas à saída das curvas. O pedal do travão tem uma resposta um pouco artificial, mas isso é algo comum no segmento dos elétricos e híbridos.
Se equipado com amortecimento variável, acredito que não só possa ser mais confortável, como ainda mais dinâmico. Porém, mesmo com amortecimento fixo, revela sempre uma enorme agilidade, controlo e segurança a curvar depressa, sem com isso se esquecer de filtrar com sucesso o que lhe possa surgir no caminho. Não esconde o seu foco e postura desportiva, mas sabe, também, que tem de estar à altura das lombas e buracos que todos enfrentamos diariamente.


No que diz respeito a consumo, o Born fechou o ensaio com uma média de 13,7 kWh/100 km. Um bom valor para o qual contribuiu, também, o excelente funcionamento da regeneração preditiva, bem como o modo B que o permite conduzir, em ambiente citadino, apenas com o pedal do acelerador.
Desde 46.355 euros
Mais do que a potência extra, a versão eBoost com bateria de 77 kWh traz consigo uma maior paz de espírito graças à superior autonomia declarada. E a verdade é que, neste teste, sem grandes cuidados, conseguimos validar esse argumento com um consumo que coloca a autonomia ligeiramente acima dos 560 quilómetros.


E quando for preciso “abastecer”, a potência de carregamento em corrente direta é, nesta versão, superior: 170 kW em vez de 120 kW. Um Cupra Born para todos os dias e, também, para chegar mais rápido aos destinos mais longínquos, sem com isso obrigar a ir mais depressa.