Volkswagen Golf GTI Clubsport: O fim de uma era? Espero que ainda não
Conduzir um Golf GTI é sempre especial, mas conduzir a mais recente evolução do desportivo da Volkswagen com a mítica sigla das três letras mágicas, o Clubsport, com motor de 300 cavalos, traz também consigo uma sensação de nostalgia e saudade antecipada algo pesada e dolorosa aos olhos de um fã de automóveis. Será este GTI o fim de uma era de sonho?


Isto porque, como sabemos, o GTI como o conhecemos, com motor térmico, não é eterno. Este Clubsport ainda escapa, felizmente, à inevitável eletrificação, apostando na fiel combinação do motor 2.0 TSI com a transmissão DSG para oferecer uma experiência de condução digna de um lugar entre os melhores “tudo à frente” dos últimos anos. Rápido, ágil, estável e, acima de tudo, muito adaptado à condução normal do dia-a-dia, como um GTI sempre foi e deve continuar a ser.
Pujança e confiança
Relativamente ao último GTI que conduzi – com 245 cv – a diferença no poder de aceleração é maior do que “apenas” 55 cavalos deixam antever. O Clubsport atinge velocidade proibitivas com uma rapidez que impressiona, não só pela progressividade do motor, bem como pela linearidade de atuação da DSG, capaz de garantir que os 400 Nm – disponíveis das 2000 às 5200 rpm – e os 300 cavalos – entregues entre as 5300 e as 6500 rpm – chegam com vigor e ininterruptamente às rodas da frente.


O vigor com que se mostra é, aliás, tanto, que nas relações mais baixas os Bridgestone Potenza 235/35 R19 acusam a pressão de o passar ao asfalto, chamando o bloqueio elétrico do diferencial a intervir à saída das curvas mais fechadas, minimizando as perdas de tração e reposicionando o eixo da frente na linha certa. Nas mudanças de direção mais rápidas, um eficaz controlo da deslocação de massas e dos movimentos da carroçaria garante sempre que as rodas se mantêm em contato com o asfalto, dando ao Golf muita estabilidade e ao condutor confiança em igual dose.
Som GTI garantido
Os travões estão lá, sempre e para tudo, permitindo levar muita velocidade para dentro da curva e, doseando a pressão sobre o pedal, é possível forçar um ligeiro e delicioso escorregar da traseira que permite depois sair em carga máxima até à curva seguinte. Gostei também da direção, com “peso” certo para condução desportiva no modo Sport, mas acima de tudo sem contar com uma desmultiplicação demasiado rápida que pudesse trazer um excessivo nervosismo às rodas da frente. E depois há que referir, obviamente, o som que acompanha toda esta experiência, ao qual não faltam os pontuais e irresistíveis “rateres” de escape.


A posição de condução é excelente, com boa visibilidade graças ao pilar A de desenho fino, bem como devido aos muito bons bancos desportivos de design integral. O volante merecia, no entanto, umas patilhas maiores, metálicas em vez de plásticas, para controlo da DSG, bem como botões convencionais em vez de superfícies táteis que são, muitas vezes, inadvertidamente ativadas. O infotainment sofre do problema comum a outros modelos do grupo, acumulando as funções da climatização, com superfícies táteis independentes, mas sem iluminação.
Para todos os dias
Surpreendente, ou não, é o facto do Golf GTI Clubsport manter uma usabilidade quotidiana de que poucos desportivos compactos se podem gabar de ter. O controlo dinâmico de chassis garante que tanto é possível fazer do Golf uma arma para track days, como um familiar confortável para todos os dias. Sim, a palavra é mesmo confortável, pois o amortecimento no seu modo mais brando dá-lhe um conforto de rolamento assinalável, complementado por um banco traseiro e bagageira que fazem deste Golf GTI Clubsport um Golf como os outros.


E nem o motor é excessivamente “guloso”. Não gasta, obviamente, o mesmo que um 1.0 ou 1.5 TSI, mas não é nada difícil conseguir médias combinadas em redor dos 8,5 l/100 km, facto para o qual contribui o modo “roda livre” da transmissão DSG. O modo de condução Individual é outra mais-valia, permitindo, por exemplo, conjugar a afinação desportiva do motor e da direção com um patamar intermédio de força de amortecimento – entre 15 níveis – que permita absorver as irregularidades de uma estrada de montanha, sem provocar ressaltos pela excessiva rigidez da suspensão.
GTI, R e Clubsport
Comparativamente ao Golf R, com tração integral e ligeiramente mais potente, o Clubsport pode até não ser tão rápido a acelerar, ao sair de uma curva ou a acumular quilómetros com indiferença sobre piso molhado. Mas não resisto ao visual com os típicos elementos vermelhos GTI, ligeiramente mais radical e desportivo deste também mais potente Clubsport.

E prefiro, também, a dose adicional de liberdade e ligeireza que um eixo traseiro livre traz à condução, mas fácil de provocar e “acordar”. Aprecio, e muito, a abordagem Clubsport, mais veloz e focado que o GTI e mais solto e puro, ainda que com capacidades menos abrangentes, do que o R. E isto, com a adaptabilidade ao quotidiano que sempre definiu a sigla GTI, nome do qual vou ter, garantidamente, muitas saudades num futuro que, espero eu, se vá adiando um pouco mais.