Duelo Suzuki Mild Hybrid em formato SUV: Vitara vs. S-Cross
Há já bastante tempo que não conduzia um automóvel da Suzuki, uma marca da qual guardo boas memórias com as experiências que tive com os seus modelos. Do divertido Ignis ao icónico Jimny, passando pelo eterno Swift, todos eles, cada um à sua maneira, revelaram muitos e bons argumentos que os colocam, em diversas áreas, entre o que de melhor se faz nos respetivos segmentos.


Por esse motivo – e sei que já o disse antes – faz-me alguma confusão o facto da Suzuki ser uma marca algo esquecida no nosso país. O produto tem qualidade, a marca tem um enorme valor e, no entanto, mal os vemos circular nas nossas estradas. E não é preciso ir muito longe para nos apercebermos de que há, efetivamente, mercados onde a Suzuki está bastante mais implantada. A nossa vizinha Espanha é disso um bom exemplo.
E nos SUV?
Para além dos modelos acima mencionados, a Suzuki propõe igualmente outros dois nomes de extrema relevância, ainda para mais porque representam a sua aposta no segmento dos SUV, um em que os mercados parecem estar cada vez mais viciados. Falo do Vitara e S-Cross, os modelos em confronto neste trabalho que os coloca frente-a-frente com as “mesmas” motorizações e transmissões: 1.4 Turbo com tecnologia Mild Hybrid, caixa manual de 6 velocidades e tração integral.


Reconheço que nenhum dos dois representa a escola de design automóvel mais arrojada ou inovadora, mas a estética de ambos os modelos coloca-os, facilmente, a par do que é hábito encontrar no segmento. As linhas talvez sejam demasiado conservadoras para alguns, mas a robustez tão apreciada nesta categoria de mercado está lá toda e, nestas versões com tração às quatro rodas, bem complementada por uma verdadeira capacidade para aventuras depois do alcatrão acabar, algo de que poucos modelos nestes segmentos mais baixos se podem gabar.
“Grande” motor
O motor 1.4 Turbo, com tecnologia mild hybrid, é um dos pontos altos de ambos os modelos. Soa possante e refinado e com 129 cavalos e 235 Nm de binário – ajudado pelos 14 cv/53 Nm adicionais do motor elétrico – garante-lhes uma capacidade de resposta e aceleração muito convincentes. E mesmo com o peso adicional e potenciais perdas por arrasto do sistema de tração integral – com embraiagem multidiscos que aciona o eixo traseiro consoante a necessidade de mais tração – o consumo médio oscilou sempre entre os 6,5 e os 7,1 l/100 km. Um motor muito agradável de utilizar e, também pelos motivos acima descritos, pouco conhecido no mercado. Injusto.


Passando aos habitáculos, é talvez aqui que seja mais urgente uma atualização estética e de conteúdos, principalmente no caso do Vitara, onde o tablier não consegue esconder a passagem dos anos. O S-Cross, por outro lado, foi alvo de uma mais recente atualização e isso nota-se, igualmente, no sistema de infotainment, mais evoluído e moderno do que o do seu “irmão”. Ambos os modelos partilham, no entanto, a facilidade de utilização, com muitos botões físicos no volante e consola. Antiquado para uns, mas o ideal para outros. Tratando-se das versões topo de gama, Vitara GLX e S-Cross S3, está também disponível uma lista de equipamento muito interessante.
Vitara parece pequeno, mas…
Considerando as suas dimensões exteriores, o espaço oferecido no banco traseiro pelo Vitara é bastante convincente. Não chega para três, como é habitual no segmento, mas a distância livre junto dos joelhos e para a cabeça permitem que dois adultos viajem em conforto. O S-Cross é 125 milímetros mais comprido do que o Vitara e tem, também, uma distância entre eixos 100 milímetros superior, diferenças que se fazem notar na habitabilidade e na bagageira. O teto panorâmico retira algum do espaço livre em altura, mas atrás, o S-Cross é mais cómodo do que o Vitara. Também na bagageira o S-Cross vence o confronto com 430 litros de volume, uma vez que o Vitara oferece “apenas” 362 litros. A ambas, falta-lhes um pneu suplente, mas está lá o prático fundo amovível.




S-Cross rola melhor
As posições de condução são elevadas e a visibilidade é boa em ambos os modelos, embora a linha de cintura baixa do S-Cross lhe dê alguma vantagem nesse aspeto. Os bancos dianteiros merecem também elogios. Até podem não parecer, mas são muito confortáveis. Conforto é também a prioridade da suspensão, com um amortecimento bem adaptado às muitas irregularidades que enfrentamos no dia-a-dia na cidade e aos um pouco mais exigentes trajetos fora de estrada onde nos queiramos aventurar com qualquer um destes Suzuki.


Em estrada, subindo-se o ritmo, ambos se revelaram suficientemente dinâmicos, com reações seguras e previsíveis, avaliação onde, mais uma vez, o S-Cross deixou a impressão de levar ligeira vantagem, talvez explicada pela menor altura da carroçaria e superior distância entre eixos, parecendo, igualmente, mais refinado ao rolar. Algo que também partilham são os modos de condução Auto, Sport e Snow, bem como a função Lock – apenas no modo Snow – para superar situações de condução com fraca aderência. A facilidade de condução é ainda complementada por uma boa resposta da direção, bem como por uma correta calibração dos pedais.
Qual escolher? Escolha um Suzuki
Escolher entre um ou outro vai acabar por ser, muito provavelmente, uma decisão com base na análise de uma de duas questões: o design e o preço. O primeiro, totalmente dependente do gosto de cada um, o segundo, do saldo da conta bancária. Neste último aspeto, a vantagem é, obviamente, do mais pequeno Vitara, modelo que, considerando a unidade em ensaio, tem um preço – com campanhas, comercial e financeira, e sem despesas administrativas e com pintura metalizada – de 29.092 euros. O S-Cross conduzido, em condições equivalentes, tem um preço base de 32.021 euros.


Não posso deixar de terminar destacando a competência global de ambos os modelos da Suzuki, ainda que “mascarada” por uma estética e soluções algo datadas, como o travão de estacionamento mecânico e por ainda não terem sido verdadeiramente transportados para a era digital, continuando a apostar, por exemplo, num painel de instrumentos quase totalmente analógico. Os materiais utilizados, principalmente nos forros das portas, também podem deixar potenciais compradores com dúvidas, pelo que seria vantajoso, numa próxima intervenção, tratar desse aspeto menos positivo.
Por outro lado, a sua competência é toda ela muito intuitiva de explorar, sendo ambos muito fáceis de conduzir, com um motor muitíssimo competente, disponível e eficiente, com uma agradável caixa de velocidades manual e um sistema de tração integral que lhes dá uma capacidade de adaptabilidade e uma versatilidade de utilização em diversos cenários de condução bem superiores às oferecidas pela grande parte dos seus concorrentes. E para quem a tecnologia mild hybrid não é eletrificação suficiente, a Suzuki propõe igualmente a sua dupla com o motor full hybrid de 116 cavalos, motorização que esperamos conhecer em breve.