Ensaio Sprint: Dacia Spring Electric 65
Depois de um primeiro ensaio ao também primeiro elétrico da Dacia – que podes reler aqui – regressei ao Spring para um Sprint, um teste à sua nova versão topo de gama Extreme equipada com uma motorização mais potente, agora com 65 cavalos.
O incremento de 20 cavalos relativamente à versão de entrada pode até parecer “curto”, mas vendo a questão de outro prisma, este novo Spring tem agora quase 50% mais de potência disponível. Não é por isso de estranhar a forma mais despachada como finta o trânsito nas zonas urbanas, retirando, por exemplo, 5,5 segundos no tempo de aceleração de 0 a 100 km/h à versão de 45 cavalos.


A velocidade máxima continua a estar – e bem – limitada a 125 km/h e o poder de aceleração é algo que pouco importa neste segmento e tipo de proposta, mas o conforto de utilização sai inevitavelmente beneficiado, facilitando algo que, na verdade, nunca foi difícil: viver diariamente com o Spring na cidade. É esse o ambiente de eleição do mais pequeno dos Dacia, onde não é nada complicado ver o computador de bordo marcar médias de consumo na casa dos 10 kWh/100 km, por vezes até menos.


A bateria não cresceu, mantendo-se nos 26,8 kW de capacidade. E uma vez que o consumo declarado (e verificado) é muito aproximado ao da versão base que conduzi anteriormente, também a autonomia não sofre grandes alterações neste mais potente Spring, oscilando entre os 220 quilómetros em ciclo combinado e uns possíveis 300 se os percursos forem maioritariamente feitos em cidade, como se aconselha.


Alvo de algumas críticas menos boas devido à simplicidade do conceito e à qualidade de construção mediana – quando comparados com os padrões atuais – o Spring representa, por outro lado, a solução elétrica perfeita para quem procura um verdadeiro automóvel para as deslocações urbanas ou para quem pretende comprar um segundo veículo que complemente o existente, provavelmente maior, mais espaçoso, mais equipado e refinado. O Spring é, como um amigo meu inteligentemente comentou, “a 4L dos tempos modernos”. Pelo menos até ao seu regresso oficial.


É verdade que a potência adicional contribui para a facilidade com que o Spring se intromete nos ritmos acelerados do tráfego urbano e suburbano. E também é verdade que o pulmão extra em quase nada prejudicou a eficiência. Por outro lado, ainda que a diferença de preço não seja assim tão grande, não consigo não ficar com a impressão final de que um Spring de 45 cavalos chega perfeitamente para dar resposta àquilo a que se propõe: mobilidade elétrica, acessível e prática para a cidade.


Disponível a partir de 22.050 euros, o novo Spring Extreme Electric 65 tem um preço base que é 1.650 euros superior ao da versão Essential Electric 45, podendo chegar, no caso da unidade ensaiada, aos 25.100 euros, valor justificado, por exemplo, pela cor da carroçaria (475 €), pelo cabo de carregamento 10A (350 €), pelo pneu suplente (150 €), bem como pela tomada para carregamento rápido a 30 kW (600 €). Precisamos de mais automóveis assim.