Ensaio Total: BYD Dolphin Design
De todos os automóveis da BYD, o Dolphin era aquele que mais curiosidade tinha de conhecer. Não por ser o meu preferido a nível estético, mas por aquilo que representa, para já, na gama na marca chinesa disponível em Portugal, o de ser um elétrico para as massas, apontando ao essencial segmento dos compactos com, entre outros argumentos, um preço muito apelativo.


É certo que, tratando-se da versão Design, topo de gama, este está longe de ser o Dolphin mais barato – é, efetivamente, o mais caro – e com um preço de 37.690 euros, também não é um automóvel para todas as carteiras. Porém, considerando o que oferece em complemento de uma potente motorização elétrica e de uma bateria de capacidade considerável, não há como não ficar curioso em conhecê-lo melhor.
É diferente
O design é, no mínimo, curioso. Sem ser arrojado ou entusiasmante, algo que se percebe que não seja, consegue ter uma pitada de originalidade que o destaca num também por vezes algo anónimo parque automóvel português. Se à frente é a iluminação com faróis pequenos que se destaca, atrás é a barra de luz a toda a largura com padrão distinto que salta à vista. A lateral é, sem dúvida, menos inspirada, mas o seu formato homogéneo e regular compensa assim que se abrem as portas. A carroçaria em dois tons é uma mais-valia para o seu visual.
O habitáculo, apesar de nesta unidade ser demasiado escuro, é um bom sítio para se estar. Falta-lhe alguma cor, é certo, mas os materiais surpreendem, pois sendo maioritariamente rijos, destacam-se, também, por uma textura agradável ao toque, uma sensação difícil de explicar. O tablier – forrado na zona central – e a consola – com pequeno gancho para pendurar sacos do lado direito – contam ambos com vários espaços práticos de arrumação.

Ainda no interior, a solução encontrada para receber o controlo da transmissão, alguns dos comandos da climatização e dos modos de condução, em forma de cilindro, ao centro, mostrou ser prática, mas pode não o ser para todos. Já o ecrã do sistema de infoentretenimento não precisava de fazer o número habitual, o de rodar 90 graus para variar a sua posição.
O painel de instrumentos, solidário com a coluna de direção, pode até ser pequeno, mas cumpre a sua função. Destaque para o facto de indicar a posição das luzes e escovas – quando se atuam os comandos – indicando a nossa seleção, algo que poucas marcas disponibilizam e que é muito útil em condução noturna.

O Dolphin é maior do que parece
O Dolphin tem igualmente argumentos para convencer as jovens famílias, com portas traseiras de grandes dimensões que facilitam a colocação de cadeirinhas para os mais pequenos. O espaço disponível para pernas é bom para dois adultos, mas em altura a folga é menor devido à bossa que o tejadilho panorâmico ali causa. Também por esse motivo o lugar central só deverá ser usado em percursos curtos.


A bagageira não impressiona pela dimensão, mas com 345 litros vai certamente dar resposta à maior parte das exigências dos seus passageiros. A presença de um fundo amovível permite criar um plano de carga sem degraus ao rebater-se o encosto, compensando um menor volume com uma maior versatilidade.
Anda bastante bem, mas não é esse o seu foco
Ao volante, este topo de gama chega a impressionar pela destreza com que acelera, com o seu “pulmão” a rapidamente superar a aderência dos pneus Hankook. Com um peso de cerca de 1.650 kg, mas com 204 cavalos disponíveis debaixo do pé, o Dolphin acelera, segundo a BYD, de 0 a 100 km/h em 7 segundos. Tentei comprová-lo e medi 7,8 segundos, o que me deixou plenamente satisfeito, considerando erros de leitura e a minha própria influência no resultado. A velocidade máxima de 160 km/h é mais do que adequada.

A suspensão está plenamente orientada para o conforto, sendo notória a dificuldade que esta tem em controlar os movimentos da carroçaria quando se aumenta o ritmo. Não entusiasma, mas é estável e transmite segurança, com um acerto macio do amortecimento que encaixa muito bem no dia-a-dia na cidade. A posição de condução é correta – bons bancos – mas a visibilidade no pilar A é algo limitada. Nem o pequeno vidro na sua base ajuda, pelo que, nas passadeiras, rotundas e entroncamentos, é necessário ter atenção.
Consumos baixos são fáceis
Quanto a modos de condução, para além dos comuns Eco, Normal e Sport, o Dolphin disponibiliza ainda um específico para superfícies escorregadias. E tal como noutros modelos da marca, estão disponíveis dois modos de regeneração de energia que, embora a recuperação efetivamente se acentue num deles, o seu efeito é pouco sentido em poder de desaceleração. É, aliás, necessário regressar ao acelerador para que se sinta a ligeira diferença quando mudamos de modo. Sendo um veículo também apontado à vida urbana, falta-lhe um modo mais forte do tipo “one pedal”.


Ainda assim, quanto a consumo de energia, o BYD Dolphin destacou-se com uma média final de apenas 14 kWh/100 km. A bateria LFP de 60,4 kWh permitirá, assim, uma autonomia combinada teórica superior a 400 quilómetros, em linha com os 427 km declarados pela marca. E na hora de a carregar, o Dolphin suporta uma potência máxima de 88 kW ou 11 kW através de uma fonte AC. Carreguei-a uma vez, num posto de 50 kW, tendo recebido carga a 43 kW estáveis.
Topo de gama Design por 37.690 euros
Tratando-se de um elétrico orientado para o quotidiano na cidade, é essencial, a meu ver, uma intensidade de regeneração superior que permita conduzi-lo com recurso a um pedal apenas. O infotainment também melhorava com uma arrumação mais intuitiva e, por exemplo, com um recetor FM mais eficaz.
Há, por isso, coisas a melhorar. Claro que há. Mas o Dolphin tem muitos pontos positivos. Os já referidos e, também, outro ainda não mencionado: a extensa lista de equipamento de série deste recheado Design onde não falta a bomba de calor, bancos em pele vegan, teto panorâmico, Vehicle to Load e carregador sem fios, por exemplo.

O preço de 37.690 euros é, considerando o que oferece, muito apelativo, mas a gama inclui outras versões com menor potência e bateria de menor capacidade, reduzindo o preço a pagar pelo simpático Dolphin. Uma boa opção 100% elétrica para o segmento dos compactos.