Ensaio Sprint: Volkswagen Polo GTI Edition 25
O nome diz (quase) tudo. Esta é a versão que celebra os 25 anos da estreia da mítica sigla GTI da Volkswagen na gama do Polo, mas uma que deve igualmente ser celebrada simplesmente por existir, por prolongar a vida de uma espécie em vias de extinção, a do hot hatch de segmento B.
Num mundo cada vez mais eletrificado e automatizado, automóveis como este Polo GTI representam o que de melhor se fez e faz no segmento dos pequenos desportivos com motor a gasolina. É verdade que o Golf GTI dispensa apresentações, mas o Polo GTI, com os seus 25 anos, caminha igualmente para uma fase adulta que já lhe permite assumir um certo estatuto dentro do seu exclusivo grupo, principalmente por combinar a sua carroçaria de utilitário com um motor 2.0 litros, algo que a sua pouca concorrência não faz.


E o resultado é, como seria de esperar, muito bom. A linearidade com que o motor TSI se revela permite ao Polo acelerar com vigor desde os baixos regimes – 320 Nm estáveis das 1500 às 4500 rpm – subindo depois de rotação com grande à vontade e não se assustando com a chegada das rotações elevadas. Soa possante e refinado e os seus 207 cavalos representam a dose certa de potência para a sua dimensão e peso.
DSG continua a convencer
A Volkswagen declara uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 6,5 segundos, valor que, com as devidas condições de segurança reunidas, consegui reduzir para 6,3 segundos. E neste aspeto não há como negar o contributo da ainda e sempre exemplar transmissão DSG – com patilhas no volante – capaz de reduzir ao mínimo as interrupções da aceleração com passagens rápidas e sem hesitações.


Rápida e eficaz, a caixa DSG também sabe ser fluída e eficiente, colocando o GTI em modo “coasting” se selecionado o modo de condução mais ecológico e quando aliviamos a pressão sobre o acelerador. É um GTI e não um TDI, mas considerando o que anda, não fiquei desagradado com os muitos percursos que fiz com médias de consumo de gasolina entre os 7 e 8 lt/100 km.


A suspensão é firme – tem de o ser e ainda bem que o é – mas não o suficiente para fazer deste Polo um automóvel de fim de semana. Sem ter nisso a sua prioridade, filtra com a eficácia possível as irregularidades do piso, com essa pontual falta de conforto a ser bem compensada pelos ótimos bancos em pele perfurada e com o logótipo das três letras mágicas.
Mais baixo
As vantagens do amortecimento firme – amortecedores variáveis disponíveis opcionalmente – tornam-se evidentes no momento de atacar uma estrada com curvas, ambiente onde o Polo GTI transmite muita confiança para o fazer, mais ainda por rolar, nesta versão especial, 15 milímetros mais perto do solo.


A direção é rápida e transmite boas sensações às mãos do condutor, não sendo excessivamente assistida, tal como se quer num GTI. O travão de mão é ainda puramente mecânico. Para uns pode até ser algo do passado, mas para outros representa uma dose extra de gozo. Rápido e ágil, o chassis pode ainda ganhar um pouco mais de liberdade e ajustabilidade através do modo Sport do controlo de estabilidade.


O Polo GTI Edition 25 está igualmente equipado de série com o sistema XDS, tecnologia que, através dos travões, simula o efeito de um diferencial autoblocante. Ainda que não seja perfeito, sentindo-se, por vezes, o ímpeto do motor de dois litros nas pontuais perdas de tração da roda interior à curva, a verdade é que o sistema é eficaz na maioria das situações. Para os condutores assíduos em track days, o XDS pode até não ser a mesma coisa que um autoblocante, mas a capacidade de colocar a potência no chão está mais do que à altura das exigências do entusiasta comum.
Polo GTI Edition 25 sim, mas noutra cor
Ainda que disponha de uma decoração exclusiva dos seus “25 anos”, com jantes específicas, autocolantes especiais e elementos contrastantes em preto, o Polo GTI Edition 25 mantém uma certa dose de discrição que sempre foi reconhecida ao Polo GTI. Neste aspeto, talvez a cor Cinzento Ascot fortaleça demasiado essa abordagem. É bonita, sem dúvida, e destaca os obrigatórios contrastes da “assinatura vermelha” do GTI, mas retira algum brilhantismo a um Polo que, inevitavelmente, quer e deve dar nas vistas. Longa vida ao hot hatch! Longa vida ao GTI!