Ensaio Sprint: Opel Corsa Electric
Com um visual apenas ligeiramente modernizado, onde o grande destaque exterior é a inclusão da máscara negra do Vizor, este renovado Opel Corsa esconde, no entanto, uma grande novidade sob a sua carroçaria: uma nova combinação de motor elétrico e bateria que prometem uma superior capacidade de resposta, bem como mais eficiência e autonomia.
Este Corsa Electric recorre assim ao mais recente motor de 156 cavalos – já utilizado, por exemplo, no Jeep Avenger – uma máquina elétrica de conceção mais eficiente (garante menos perdas no seu núcleo a todas as gamas de velocidade), bem como a uma nova bateria de 51 kWh de capacidade, a qual pode até só ter 1 kWh a mais do que a já existente, mas cuja configuração é bastante diferente, com 102 células em vez de 206, o que, adiantam os responsáveis da marca, beneficia a autonomia e o processo de carregamento. O seu arrefecimento é feito por líquido e com 340 kg, consegue ser 5 kg mais leve do que a bateria de 50 kWh. No entanto, importa referir, como veremos no final, que a Opel continua a propor o motor de 136 cv como versão de acesso aos Corsa 100% elétricos.


Sem ter disponível um Corsa Electric com a combinação de motor e bateria de acesso para realizar o mesmo percurso de teste e, o mais possível, nas mesmas condições, é injusto fazer uma comparação entre ambos, mas a eficiência deste novo topo de gama sem emissões locais é indiscutível. Não me foi, de todo, difícil completar vários percursos com médias em torno dos 13,5 kWh/100 km, evitando o recurso excessivo ao ar condicionado e recorrendo, quando fez sentido, ao modo B que aumenta a regeneração de energia. Neste aspeto, tratando-se de um veículo pensado para a cidade, era benéfica a presença de um modo de recuperação de energia mais forte, do tipo “one pedal”. O consumo final do teste foi de 14,8 kWh/100 km, o que coloca a autonomia total teórica na casa dos 350 quilómetros, um pouco abaixo dos 400 anunciados.


Este topo de gama conta com uma afinação exclusiva de chassis, com um amortecimento específico e com, por exemplo, vias mais largas. E a verdade é que, mesmo com pneus Michelin Primacy pouco focados na dinâmica, as modificações implementadas, em conjunto com o centro de gravidade baixo proporcionado pela localização da bateria, tornam este Corsa extremamente divertido de conduzir. Também é verdade que, em cidade, ter um amortecimento a pender para o firme não é simpático e o pedal de travão muito “esponjoso” na primeira fase do curso também não é o ideal ao andar mais depressa, mas atenção, não estamos na presença de um pequeno desportivo, mas sim de um Corsa elétrico pensado para dar gozo, com um desempenho dinâmico muito convincente.
No habitáculo, destacam-se pela positiva elementos como a posição de condução – ótimos bancos, mas volante podia ser mais pequeno – a manutenção de alguns comandos analógicos para controlo da climatização e o muito equipamento disponível. Nesta vertente, tenho de mencionar a excelente iluminação adaptativa que tanto conforto e segurança dá ao conduzir à noite. Menos bom é o acesso possibilitado pelas pequenas portas traseiras ao habitáculo, bem como o espaço ali disponível, habitabilidade que continua a deixar o Corsa – bem como os seus “primos” – um pouco aquém de alguma da sua concorrência.


Disponível a partir de 36.820 euros, esta nova combinação de motor e bateria elétricos – só disponível na versão GS, topo de gama – não terá no preço um argumento. É verdade que “anda mais”, quer em aceleração, quer em autonomia, mas o Corsa Electric não estava mal servido com o motor de 100 kW/136 cv e com a bateria de 50 kWh – disponível a partir de 29.990 euros – a qual permite percorrer cerca de 300 km reais sem necessidade de carregar.


Não há nada como fazer devidamente as contas ao superior investimento e ao retorno que pode, ou não, daí resultar. Mas com um preço final de 41.395 euros, este muito recheado e divertido Corsa Electric em particular, dificilmente seria a minha escolha na gama. Prescindia de alguns “luxos”, bem como dos 0,6 segundos que os 20 cv adicionais retiram ao sprint de 0 a 100 km/h, e apontava os meus euros à versão mais acessível do Corsa Electric.