Ensaio Duplo: Volkswagen T-Cross 1.0 TSI
Terceiro modelo da Volkswagen mais vendido em Portugal em 2023 e mais de 1,2 milhões de unidades vendidas em todo o mundo desde o seu lançamento original. O T-Cross é dos principais pilares da marca alemã e mantê-lo esteticamente atual e dotado da mais recente tecnologia é essencial para que este possa dar continuidade à sua história de sucesso.
A Volkswagen aplicou-lhe por isso uma ligeira atualização visual, incorporando um novo design nos para-choques, bem como um novo estilo na iluminação dianteira e traseira. Pela primeira vez na história do modelo, os faróis Matrix LED passam também a estar disponíveis, propostos de série nas versões topo de gama. No interior, o tablier passou a contar com novos materiais, mais agradáveis ao toque, tendo este sido igualmente redesenhado, dispondo ainda de um novo sistema de infotainment com o ecrã tátil a ocupar agora uma posição central de destaque.


Após um breve contato inicial aquando da sua apresentação nacional no passado mês de maio, regressei agora ao T-Cross para dois ensaios consecutivos a versões distintas, equipadas também com diferentes variantes da motorização 1.0 TSI. No canto azul, o T-Cross Urban com motor de 95 cavalos e caixa manual de 5 velocidades e, no canto oposto, vestido de branco, o T-Cross R-Line com motor de 115 cavalos e caixa automática DSG de 7 velocidades.
R-Line tem “mais motor”, sim, mas também não é assim tanto
Em termos de performance, a vantagem do R-Line é clara. São mais 20 cavalos de potência e 25 Nm de binário – 175 Nm vs. 200 Nm – números que se traduzem numa velocidade máxima de 192 km/h e numa aceleração de 0 a 100 km/h em 10,3 segundos. Mas serão os 180 km/h de velocidade máxima e os 11,2 segundos que o T-Cross de 95 cavalos precisa para cumprir o arranque até aos 100 km/h insuficientes? Longe, muito longe disso.


O pulmão adicional deste R-Line é indiscutível, mas o seu maior argumento mecânico é, sem dúvida, a caixa DSG, a qual poderá ser o elemento diferenciador para o cliente final, permitindo uma condução serena e descontraída em cidade, mas igualmente eficaz na sua rápida resposta.



Em termos de desempenho, a combinação do motor de 95 cavalos com a caixa manual de 5 velocidades garante uma dose adequada de performance e, quase sempre, consumos inferiores a este seu rival interno. Considerando este teste duplo, registei uma diferença de sensivelmente 0,5 lt/100 km: 6,7 lt/100 km vs. 7,3 lt/100 km.
Boas sensações de condução
Ao volante, as sensações são idênticas em ambos os T-Cross em confronto. Estável, seguro e com a agilidade que se espera de um moderno crossover urbano. Sem entusiasmar, o T-Cross revela sempre um comportamento muito são, fruto de uma suspensão que sabe combinar conforto com dinâmica, revelando apenas alguma dificuldade em trabalhar quando o piso se torna muito degradado. Nota igualmente positiva para a direção, com assistência e resposta bem calibradas, com a Volkswagen a resistir, e bem, a uma afinação demasiado rápida para o dia a dia.
Os comandos leves – ao nível dos pedais e da caixa manual de velocidades – garantem, em conjunto com a boa posição de condução e visibilidade geral, a facilidade de condução que se exige num prático crossover para todos os dias. E essa praticidade está bem presente no T-Cross, mais até do que em vários dos seus rivais diretos. O espaço no banco traseiro é bastante bom, quer para pernas, quer para a cabeça e a capacidade da bagageira varia entre os 385 e os 455 litros graças ao grande argumento de um banco traseiro deslizante. Compacto por fora, sem dúvida, mas bem aproveitado por dentro.
Qual comprar?
Mesmo reconhecendo o apelo estético do pacote R-Line, bem como o conforto de utilização suplementar proporcionado pela caixa automática DSG e os elementos de equipamento adicionais, é difícil aceitar a diferença de quase 8.000 euros no preço das unidades ensaiadas. É superior em quase tudo – até no consumo, o que não é argumento – é certo, mas apenas consigo justificar este T-Cross R-Line para quem o visual desportivo e o equipamento adicional sejam imprescindíveis.



E isto porque o nível Urban está igualmente disponível com o motor de 115 cavalos e caixa manual de 6 velocidades por “apenas” mais 2200 euros do que o Urban de 95 cavalos aqui testado, bem como em versão equipada com a caixa DSG por 2.000 euros adicionais. Por isso, manual ou automático, com 95 ou 115 cavalos, diria que o nível de equipamento Urban disponibiliza todo o T-Cross de que vais precisar, sem cair num patamar de preço pouco simpático para um cliente de segmento B. E, garanto-te, ficarás muito bem servido.
Preço das unidades conduzidas
- 1.0 TSI 95 cv Urban – 26.812 euros
- 1.0 TSI 115 cv R-Line DSG – 34.739 euros