FIAT Grande Panda é um dos lançamentos do ano. As primeiras impressões
O Panda é, sem quaisquer dúvidas, um dos modelos mais importantes da história da FIAT. Bem sei que o que não falta na história da marca italiana são automóveis icónicos e revolucionários como o Panda o foi, originalmente, em 1980, mas a chegada do novo Grande Panda é um momento de extrema relevância no panorama atual do mercado automóvel europeu.


Digo-o porque este atravessa uma fase crítica e preocupante perante a pouco célere transição energética, associada também a um poder de compra que é, junto do cidadão comum, bastante limitado se considerados os custos associados à tecnologia de segurança atualmente obrigatória e à solução 100% elétrica que nos vão querer impor a todos no futuro.
Assim, de forma a poder responder a esta necessidade, bem como à da sua transformação enquanto marca num momento tão desafiante, a FIAT reinventou o Panda, ampliando-o para Grande e posicionando-o, assim, no importantíssimo segmento B. A eletrificação é, obviamente, um dos pilares fundamentais desta reinterpretação do conceito Panda, mas para além da versão 100% elétrica estará igualmente disponível uma variante híbrida, dando resposta a quem não pode, ou simplesmente não quer, conduzir um automóvel puramente elétrico no seu quotidiano.


Ao nível do design, o novo Grande Panda está assumidamente orientado para o futuro, mas mostra-se com um visual profunda e originalmente inspirado em vários elementos que fazem parte da história da FIAT, apresentando elementos que se inspiram, por exemplo, no histórico edifício Lingotto, em Turim. Seja no exterior ou no habitáculo, onde abundam, e bem, os materiais reciclados, o Grande Panda renova o sentido prático que sempre definiu o pequeno FIAT, modernizando-o, mas mantendo intatos o caráter jovem e citadino do Panda. Cores enfadonhas não estão disponíveis e essa alegria visual que transmite, aliada ao importante fator nostálgico que a FIAT tão bem soube incorporar, permitiu-lhe desenvolver uma também muito original campanha de comunicação em torno do conceito de felicidade.
Grande Panda elétrico com 320 quilómetros de autonomia. Híbrido chega em breve
Voltando às motorizações, o novo Grande Panda é proposto em versão 100% elétrica, combinando um motor de 113 cavalos com uma bateria de 44 kWh para proporcionar uma autonomia combinada de 320 quilómetros. Destaque para o facto de incorporar um cabo extensível na zona da “grelha” dianteira, com 4,5 metros de comprimento, para fazer o carregamento AC até 7 kW. Se o cliente optar pelo carregador de bordo de 11 kW, o cabo dianteiro deixa de estar disponível. O carregamento em corrente contínua pode ser feito até uma potência máxima de 100 kW e permite “encher” a bateria em 27 minutos.



Na sua apresentação nacional, tive já oportunidade de o conduzir, e apreciei, acima de tudo, a descontração e facilidade de utilização que o Grande Panda transmite, bem como os consumos reduzidos que são possíveis de atingir, neste pequeno teste, em redor dos 14 kWh/100 km. Um elétrico que, não estando ao alcance de todos, está ao alcance de um maior número de pessoas, com a dose certa de tecnologia, potência adequada e uma dimensão pensada para a cidade, mas com quatro verdadeiros lugares e uma bagageira com 361 litros de capacidade. O ensaio completo e a análise detalhada deixo, porém, para um segundo teste, mais prolongado, a realizar em breve.

A gama irá igualmente incluir, como referi acima, uma versão híbrida equipada com um motor 1.2 litros, a gasolina, com 100 cavalos, complementado por uma pequena máquina elétrica de 28 cavalos integrada na transmissão de dupla embraiagem, tecnologia já conhecida de outros modelos do grupo. O Grande Panda híbrido estará disponível em três níveis de equipamento, Pop, Icon e La Prima, e estará à venda em Portugal por, respetivamente, 18.600, 20.100 e 22.600 euros. Já a versão elétrica conduzida é proposta na inédita versão RED por 23.550 euros ou por 26.550 euros no caso do topo de gama La Prima.


Fecho como abri: o Grande Panda é, indiscutivelmente, um dos lançamentos do ano. Prático, compacto, acessível, eletrificado, personalizável e, porque conduzir não tem de ser um sacrifício, mas sim uma celebração da nossa liberdade, alegre. Nesse aspeto, o Grande Panda impressionou, pois deixou-me com um sorriso na cara. A FIAT a fazer o que sempre fez bem, ao longo de 125 anos de história, automóveis com propósito, para as cidades, para as pessoas.