Novo Atto 2 coloca BYD na luta do segmento B. O primeiro teste
A convite da BYD Portugal, estive presente no evento de apresentação à imprensa nacional daquele que é um dos mais relevantes modelos da sua gama para o mercado português, o Atto 2.
O novo SUV compacto da marca chinesa aponta ao segmento B 100% elétrico com inúmeros argumentos e promete complicar a vida das propostas mais consagradas naquela que é uma das mais apreciadas categorias do mercado automóvel em Portugal. Em 2024, se consideradas todas as carroçarias, o segmento B representou quase 45% das matrículas de veículos ligeiros de passageiros, a que corresponde um volume superior a 93.000 automóveis.

O novo Atto 2 está, para já, apenas disponível em versão 100% elétrica, mas adotará no futuro uma motorização híbrida com a tecnologia DM-i da BYD. Esta solução vai aumentar de forma significativa o apelo do Atto 2 junto do cliente português, o qual pode ainda não estar em condições de adquirir uma viatura elétrica. Recorde-se que, no ano passado, de acordo com os dados da ACAP, as motorizações eletrificadas – HEV, PHEV e BEV – já representaram mais de 25% das matrículas de veículos de segmento B.
Pequeno, mas grande
O oitavo modelo a ser lançado no nosso mercado é também o mais pequeno de todos. Ainda assim, partilha com a restante gama da BYD soluções como a e-Platform 3.0, a Blade Battery e a tecnologia Cell-to-Body, medindo 4.310 mm de comprimento, 1.830 milímetros de largura e 1.675 mm de altura. Neste primeiro contato, e apesar de perder, por exemplo, 145 mm de comprimento comparativamente a um Atto 3, o Atto 2 surpreendeu pelo espaço interior oferecido, sendo possível viajar no banco traseiro com uma folga para pernas e cabeça que chega mesmo a surpreender. O piso, graças à plataforma específica para elétricos, é completamente plano e a bagageira oferece 400 litros de volume útil, espaço extensível a 1340 litros com o rebatimento dos bancos.

Em termos de design exterior, a BYD jogou pelo seguro. O Atto 2 não vai deixar ninguém de queixo caído, mas também não chocará com soluções estéticas arrojadas. Linhas suaves, proporções corretas, iluminação horizontal de forma a acentuar a sensação de maior largura e a habitual solução do tejadilho “flutuante” conjugam-se para fazer do Atto 2 um moderno SUV do qual é fácil de se gostar. A cor discreta da unidade que guiei e o dia “fechado” e muito cinzentão em que decorreu a apresentação não destacam o visual do pequeno, mas grande Atto 2.

Neste primeiro e breve contato dinâmico, também gostei da sensação de qualidade do habitáculo. Tratando-se de um modelo de segmento B, não se esperem encontrar acabamentos premium, mas a maior parte das zonas habitualmente tocadas contam com superfícies agradáveis. Visualmente, o interior também prescinde de soluções irreverentes, preferindo apostar em linhas simples e limpas, com as quais é fácil de conviver no dia a dia. Todas as versões do Atto 2 estão equipadas com um painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas. Já o ecrã central tátil pode ser de 10,1 ou 12,8 polegadas, consoante a versão.
Autonomia combinada de 312 quilómetros
Equipado com uma versão de 45,12 kWh de capacidade da Blade Battery com química LFP, o Atto 2 proporciona uma autonomia WLTP de 312 quilómetros, alcance que se estende a 463 quilómetros se utilizado exclusivamente em ambiente citadino. O motor elétrico de 130 kW – 177 cavalos – está acoplado ao eixo dianteiro e disponibiliza um binário máximo de 290 Nm. A velocidade máxima é de 160 km/h e a bateria pode ser carregada a uma potência máxima de 65 kW. Destaque ainda para a presença da tecnologia Vehicle to Load, da bomba de calor e de um carregador AC de 11 kW.

O pequeno percurso realizado no âmbito desta sua apresentação nacional não é de todo conclusivo em termos de sensações de condução e de eficiência de utilização, mas as primeiras impressões foram positivas. A disponibilidade de potência é indiscutível, o conforto de rolamento pareceu-me adequado a uma utilização maioritariamente em cidade e a facilidade de condução e versatilidade para o quotidiano estão garantidas, por exemplo, por uma correta posição de condução, boa visibilidade e os já mencionados excelentes níveis de habitabilidade, pelo que as pequenas famílias agradecem.
BYD Atto 2 disponível a partir de 31.490 euros
A gama do BYD Atto 2 compreende, em Portugal, duas versões. O nível de entrada, Active, está disponível a partir de 31.490 euros e inclui, de série, elementos como as jantes de 17”, iluminação LED, teto panorâmico com cortina eletricamente ajustável, máximos automáticos, acesso NFC, câmara e sensores de estacionamento traseiros, sistema de infoentretenimento com ecrã tátil rotativo de 10,1”, estofos em pele vegan e funcionalidade V2L.

Já a versão Boost, proposta por 32.990 euros, adiciona elementos como o aquecimento dos bancos dianteiros e do volante, a iluminação ambiente do habitáculo, os espelhos exteriores com rebatimento elétrico, os sensores de estacionamento dianteiros e uma câmara com visão de 360 graus. O ecrã tátil é também maior, com 12,8”, estando ainda disponíveis um carregador de smartphone sem fios de 15 W e um sistema áudio melhorado com um total de oito altifalantes. O BYD Atto 2 regressará, em breve, à Garagem para um ensaio mais detalhado.