Ensaio Total: XPeng G6 Performance
Regressei do evento de lançamento da XPeng em Portugal com uma primeira impressão positiva. Não conduzi, mas vi, entrei, toquei e analisei estaticamente, com as limitações óbvias de um espaço de apresentação relativamente escuro e cheio de pessoas, os automóveis elétricos de mais uma marca chinesa a entrar no mercado português, tendo ficado a ideia de que, em termos de qualidade percebida e tecnologia, esta seria, até ao momento, uma das melhores.
Um dos três modelos apresentados foi este G6, sem dúvida o mais relevante para o mercado nacional – ainda que esteja longe de ser o elétrico que o cliente português comum pode comprar – por ser mais pequeno do que o enorme G9 e, sendo um SUV, por ser imediatamente mais apelativo para os gostos atuais que pouco apreciam uma berlina como o bonito P7, ambos, modelos que irão passar pela secção de Testes da Garagem.
Discreto, menos na cor
Começando pelo design, o G6 adota também o cada vez mais usual estilo minimalista. Assim, dificilmente ofende, mas também pouco entusiasma, sendo agradável, mas pouco ou nada diferenciador, destacando-se pelas jantes de 20 polegadas e, no caso da unidade em ensaio, pela cor viva que o faz saltar à vista no nosso parque automóvel excessivamente cinzento. Linhas suaves, orientadas igualmente para um excelente desempenho aerodinâmico, num SUV coupé de 4,75 metros de comprimento onde não faltam, literalmente, rivais de peso.


Interior de qualidade
A bordo, confirmei as boas impressões recolhidas na sua apresentação estática. O estilo minimalista prolonga-se ao habitáculo, mas a sensação de conforto é elevada, não só pelo espaço e equipamento disponível, mas também pela qualidade dos materiais aplicados. O sistema de infotainment conta com um ecrã de 15 polegadas e destaca-se pela nitidez, rapidez e agradabilidade de utilização. Por outro lado, assumindo-se como a central de comando, controla a maior parte das funções a bordo, o que poderá não ser do agrado de todos.


O espaço no banco traseiro impressiona em todas as direções e o facto de o piso ser completamente plano é também um argumento se for necessário transportar três passageiros. O encosto do banco pode ser reclinado, permitindo desfrutar do grande teto panorâmico nas grandes viagens. A sensação de qualidade transmitida pela zona da frente do habitáculo estende-se ao banco de trás. A bagageira oferece 571 litros de capacidade, volume que é extensível a 1.374 litros. O espaço disponível em altura não impressiona, mas esse ponto menos bom é compensado por um compartimento para arrumar os cabos de carregamento debaixo do piso.


G6 Performance no topo
A gama do G6 é composta por três versões distintas, duas equipadas com um motor traseiro e uma que combina duas máquinas elétricas, uma por cada eixo. A versão Standard Range conta com um motor elétrico traseiro de 258 cv e 440 Nm em combinação com uma bateria LFP de 66 kWh que pode ser carregada a uma potência máxima DC de 215 kW. A autonomia WLTP em ciclo combinado é de 435 quilómetros. Acima, a variante Long Range eleva a potência aos 286 cavalos – mantendo os 440 Nm de binário – e a bateria NMC conta com 87,5 kWh de capacidade. A potência de carregamento DC máxima passa a ser de 280 kW e a autonomia WLTP em ciclo combinado chega aos 570 quilómetros.


No topo da gama posiciona-se a versão Performance aqui em ensaio, talvez, também, a menos relevante para o nosso mercado, mas aquela que, indubitavelmente, mais bem expressa toda a capacidade da arquitetura elétrica de 800 Volts da Xpeng. A dupla de máquinas elétricas proporciona-lhe 476 cavalos de potência combinada e um binário total de 660 Nm, sendo a bateria e a capacidade de carregamento partilhadas com a variante Long Range. A autonomia WLTP em ciclo combinado é ligeiramente inferior, 550 quilómetros, mas a aceleração de 0 a 100 km/h é bem mais rápida: 4 segundos contra os mais de 6,5 de ambas as versões equipadas com um motor apenas.
Rápido, sim. Desportivo, não
Porém, apesar do poder de aceleração inerente à designação Performance, este XPeng G6 não é, claramente, um desportivo. A suspensão está mais preocupada com o conforto oferecido a bordo e isso nota-se ao curvar a ritmo mais elevado, com um notório adornar de carroçaria. Ao não contar com um amortecimento excessivamente rijo, raramente senti as habituais oscilações de carroçaria dos grandes e pesados elétricos, algo que apreciei neste G6 de peso superior a duas toneladas. Também a direção não está pensada para grandes dinamismos, sendo o G6, mesmo este Performance, muito mais agradável de utilizar a ritmos tranquilos.


Foi assim, com uma condução perfeitamente normal e ajustada aos limites de velocidade, que consegui o consumo final de 17,7 kWh/100 km, o que coloca a autonomia real em aproximadamente 500 quilómetros. Estão disponíveis os habituais modos de condução Eco, Normal e Desporto, bem como um Individual, personalizável. Em termos de regeneração, estão disponíveis quatro modos, mas nem o mais ligeiro permite deslizar sem sinais – ainda que mínimos – de regeneração, nem o mais intenso X-Pedal permite conduzir com recurso a apenas um pedal. Ao volante, importa ainda destacar uma visibilidade traseira algo limitada pelo desenho da secção traseira, mas um aspeto que é compensado pela muita tecnologia disponível. Ao acionar-se o pisca, por exemplo, a câmara lateral ativa-se e transmite a sua imagem para o ecrã central, sendo possível controlar o chamado ângulo morto.
XPeng G6 desde 46.990 euros
O SUV G6 está disponível em Portugal a partir de 46.990 euros, mas para se aceder a este “todo-poderoso” Performance é preciso esticar um pouco mais o investimento e chegar aos 59.990 euros. Sem ter conduzido as versões que me parecem mais relevantes e ajustadas ao mercado é algo injusto dizer os cerca de 13.000 euros adicionais não se justificam. Por outro lado, considerando a potência e nível de performance desnecessariamente elevados que este G6 Performance disponibiliza para uma utilização que se prefere tranquila e eficiente, parece-me bastante mais seguro afirmá-lo.


Como disse, este Performance é rápido, mas não é, claramente, desportivo. Os seus argumentos são outros. O conforto de rolamento, a muita tecnologia e equipamento a bordo, a habitabilidade e qualidade geral elevada são os meus destaques. Confirmei, assim, as minhas suspeitas. A XPeng é para ser levada a muito a sério. E confirmei, novamente, que os elétricos muito potentes, com tração integral, dificilmente se destacam pela emoção. Justificando-se, isso sim, em climas mais rigorosos, onde a superior motricidade é, sem dúvida, uma mais-valia em termos de segurança num veículo com tão boas aptidões familiares.